SXSW | As inovações tecnológicas e a era das empresas multifacetadas

O que você vai ler aqui:

Alguns exemplos de como tendências de setores aparentemente distantes podem transformar o futuro de um negócio.

Por que é importante?

A crescente espiral de inovações tecnológicas promete remodelar significativamente os mais diversos setores da economia. Para se manter relevante, é preciso estar conectado às novas tecnologias e oportunidades de negócio e pensar que o futuro pode estar além das definições tradicionais de setores, categorias ou segmentos.

Atualmente, novos recursos tecnológicos têm provocado mudanças significativas nas expectativas dos consumidores e, consequentemente, nas experiências proporcionadas pelas marcas.

Você deve ter visto aqui, no Brand Ideas, que o mercado da moda, por exemplo, tem se apoiado em recursos tecnológicos para se renovar, com o objetivo de deixar para trás o estigma de ser uma das indústrias mais poluentes do mundo. Leia mais sobre a sustentabilidade na moda.

Ouvimos muito sobre inteligência artificial, realidade aumentada, robótica, energia, biotecnologia e transportes, só pra ficar nos mais relevantes. E se essas inovações já são poderosas por si só, imagine o quão revolucionárias podem ser quando combinadas, atuando em prol de soluções para as diversas necessidades de consumidores e empresas.

Entenda como os batimentos cardíacos estão redefinindo a experiência humana.

Nesse sentido, parece razoável entender que a evolução natural de um negócio consista em soluções que vão além das barreiras que definem o seu setor e que, para imaginar o futuro, é preciso conhecer as reais necessidades de seu público e como as novas tecnologias podem endereçá-las de forma mais eficiente e fluida.

Pioneirismo

Empresas modernas tendem a perceber esse movimento com mais naturalidade. É o caso da Apple, que, além de ter transformado a computação – levando-a a um nível pessoal –, revolucionou a telefonia, a indústria do entretenimento e, agora, explora novos universos, como o da saúde, o da educação e o dos meios de pagamento.

No mesmo sentido, o UOL é um caso muito interessante. Foi criado como provedor de internet, passou a hospedar sites, empreendeu uma solução de pagamento para impulsionar os e-commerces de sua plataforma e acabou revolucionando o mercado de adquirência. Hoje, sua marca PagSeguro caminha para se tornar um banco digital.

Como a evolução de diversos setores é relevante, hoje, para nos fazer pensar no futuro dos negócios?

Daniel Alencar, sócio-diretor da FutureBrand, que acompanhou o SXSW 2019, traz esse assunto, que ganhou palco e atenção de uma imensa plateia na voz de Amy Webb, professora de previsão estratégica na Stern School of Business da Universidade de Nova York.

Em sua palestra, Amy Webb mostra como a evolução tecnológica de diferentes setores pode ser decisiva para um negócio.

Para exemplificar, ela explorou tendências como o Gene Editing, 4D Printing, Smart Farming e Green Technology – avanços que, aparentemente, não estão relacionados ao varejo, mas que, na verdade, são fundamentais para o futuro de um grande varejista como o Walmart.

1. Gene Editing

Tecnologia capaz de modificar genes, com a finalidade de “aperfeiçoar” espécies, aparentemente, sem danos colaterais. A tendência propõe soluções ambiciosas (e polêmicas), como a produção de animais com o dobro de carne e de animais que consomem menos água ou recursos naturais em sua criação.

2. Indoor Planting Factories

Consiste, basicamente, na produção de alimentos em instalações com condições climáticas controladas no meio das grandes cidades. Estamos falando em grandes prédios voltados à agricultura – que seriam muito mais eficientes tanto do ponto de vista da produção quanto do ponto de vista da distribuição.

1. 100x mais volume por m2;

2. 40% menos energia elétrica;

3. 80% menos desperdício;

4. 99% menos água.

3. 4D Printing

Uma evolução da impressão 3D que, ao entrar em contato com outro elemento (ar, água etc.), se transforma mais uma vez.

4. Green Technology

Conjunto de tecnologias capaz de minimizar fatores ambientais que prejudicam a produção de alimentos – recursos e técnicas que vão desde o bloqueio do sol até a criação de nuvens.

Qual é o impacto dessas tendências para um grande varejista?

Todas essas novidades afetam diretamente a oferta global de alimentos.

Em outras palavras, significa que a convergência dessas tecnologias mudará profundamente a maneira como nossos alimentos serão produzidos e distribuídos até nossas casas.

Amy Webb acredita que empresas com um olhar para o futuro e fluência em tecnologia, como a Amazon, têm um grande potencial para redesenhar o futuro do varejo alimentar. Vamos dar uma olhada em alguns dados recentes:

  • Em 2017, a Amazon adquiriu a Whole Foods, cuja maior parte das lojas se situava em áreas de grande densidade urbana.
  • Em março de 2019, anunciou o lançamento de uma rede supermercados – ainda sem marca definida.
  • A empresa tem investido fortemente em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias nas áreas de robótica, sensores, life science e logística.

Somam-se a isso as previsões das vendas online do varejo alimentar, que, ao que tudo indica, vão mais que dobrar em 5 anos, podendo alcançar mais de 60 bilhões de dólares até 2023, nos EUA.

Se conectarmos todas essas tendências, não é um absurdo imaginar que a comida do futuro virá de sementes geneticamente modificadas, plantadas em fábricas indoor, em lojas da Amazon e em cada comunidade local.

O que isso significa na prática?

Imagine esse movimento aplicado em grandes proporções. Se o alimento passar a ser produzido nas grandes cidades, o que será do interior – que tem sua economia baseada na agropecuária?

E as empresas de logística que se dedicam a transportar alimentos do interior para as grandes cidades ou mesmo para outros países?

Daniel Alencar reforça que a indústria de alimentos é só um exemplo. A tecnologia irá impulsionar movimentos significativos nos mais diversos setores da economia. Por isso, reconhecer as tendências, lançar um olhar cuidadoso e desenhar estratégias inteligentes podem ser posturas fundamentais para que uma grande varejista se posicione diante das mudanças. Esperar para ver o que vai acontecer, no entanto, significa caminhar inerte para o derradeiro fim.

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